domingo, 18 de julho de 2010

Meus trinta anos...

Já chorei. Já ri. Brinquei. Lutei. Estudei. Trabalhei. Já amei. Odiei. Xinguei. Dormi. Acordei. Pulei. Sentei. Planejei. Faltei. Fingi. Menti. Sonhei. Senti...

Acho que meus trinta anos foram bem-vividos (mas isso ninguém pode julgar. Nem eu mesmo). O fato é que tive sorte em algumas coisas. Azar em outras. Mas, em todas, procurei viver com inteireza de espírito e sobriedade de atitudes. Tudo isso para que hoje, diante dos excessos e dos equívocos que cometi, não pousasse sobre mim o fantasma da culpa de não ter falado quando podia e calado quando devia. Tudo isso para que agora eu pudesse olhar no espelho para dizer o simples, o óbvio, o esperado:

Vale a pena estar vivo!!

Na verdade, tenho saudades de jogar bolinha de gude, de empinar pipas, de tomar banho de chuva ou de jogar vídeo-game (o Atari de tantas alegrias). Mas também me fazem falta os amigos de então, as pessoas com as quais vivi, a inocência pura de uma época em que a única preocupação era com a diversão, ainda que todos nós, crianças da década de 1980, soubéssemos que - mais cedo ou mais tarde - a vida se tornaria séria demais e nos forçaria a tomar nossos próprios rumos, para o bem ou para o mal.

Eu tomei meu próprio rumo... e aqui estou. Maravilhado e grato pelo "até aqui". Sem saudosismos, pois creio que o melhor ainda está por vir. Mas convicto de que já valeu a pena viver para chorar, rir, brincar, lutar, estudar, trabalhar, amar... sonhar e sentir... tudo o que fiz (e não me arrependo de nada) nesses trinta anos, nessas três décadas de alegrias e tristezas.

Obrigado pelo carinho de vocês!

Um abraço,
Gustavo

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Gratuito e a céu aberto...

E as luzes se acenderam de repente. Raios por toda parte. Aqui. Ali. Amarelados. Avermelhados. Acinzentados. Azulados. Negros. Rosados. As cores mais variadas e transitórias que já vi. No horizonte, o astro maior saindo pela porta dos fundos. Tímido. Resignado. Perdendo força. Iluminando ainda imaginações alheias; apagando os rastros do cansaço diário. Algumas nuvens de algodão estavam solidárias, na verdade reticentes ao último espetáculo do mais brilhante dos brilhantes. O turno estava terminando; o ciclo se completando. Nunca mais, em tempo algum, aquela tela, pintada ao acaso pelos deuses astronautas, iria se repetir com aquela mistura de cores e de tons. O espetáculo era único, como únicas eram as emoções de estar ali, plantado, admirando de longe, a mais comum - talvez a mais fantástica, ainda que raramente notada - demonstração de beleza da nossa mãe Terra. O relógio marcava 18:03. E o céu inteiro irradiava formosura e fazia ecoar um "Até breve, voltamos amanhã!". As luzes começaram a se apagar; e os raios a murchar discretamente. Ao longe, ainda contemplei as cortinas se fechando e o espetáculo (QUE PENA!) terminando. Aquele pôr-do-sol eu jamais veria outra vez. Também aquele "eu" jamais voltaria a ser novamente.

A vida é como um pôr-do-sol. Bela e efêmera. Clara e escura. Única e múltipla. Nada mais.

Um abraço,
Gustavo     

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Quem sou eu?

Gosto muito dos escritos do psicólogo e antropólogo Roberto Crema. Sobre a fragmentação da vida, ele escreve algo que gostaria de mostrar a vocês:

A existência foi compartimentalizada. Das oito às dezoito horas, o indivíduo veste uma persona profissional. Em casa, ostenta outro papel – de pai, mãe, filho, irmão, etc. Folga no final de semana e, geralmente na manhã de domingo, aparamenta-se de religioso. No banheiro, relaxa. Uma vez por ano tira férias dos papéis habituais, troca de rotinas. E quase nunca se pergunta: além desses papéis triviais, quem sou eu? (CREMA, 1993, p. 133).

E não é isso mesmo? Quem sou eu, além da correria do dia a dia, dos compromissos a honrar, do trabalho a executar e dos papéis de pai, mãe, filho, irmão, etc.?

Quem sou eu? E quem são vocês?

Talvez a solução das grandes dificuldades que temos atualmente em sociedade esteja diretamente atrelada a essa reflexão. Uma pena que nas escolas não se fale disso.

Um abraço,
Gustavo

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Do céu ao inferno... e ao céu de novo

Gostaria de registrar aqui que fui do céu ao inferno nas últimas duas semanas. Para quem não sabe (e minha ausência aqui foi deliberada), minha mãe sentiu fortes dores de cabeça há pouco mais de 15 dias e, no dia 5 deste mês, foi internada sob suspeita de um tumor cerebral.

Nem preciso mencionar que meus pés saíram do chão a partir do exato momento em que recebi a notícia. E, de lá para cá, tenho sentido de tudo um pouco. Depressão, tristeza, loucura, raiva, solidariedade, força, apoio e esperança (talvez não nessa ordem, mas em intensidades quase inimagináveis). O importante, no entanto, é que hoje ela fez a tão aguardada cirurgia e que, segundo os médicos, tudo ocorreu bem. Agora é torcer para que o pós-cirúrgico seja tranquilo e que, logo, ela esteja de volta.

Enquanto isso não ocorre, aproveito para agradecer o apoio de tantos familiares e amigos que me acompanharam durante as últimas semanas. Confesso que esses 15 dias só foram suportáveis porque me obriguei a crer que a vontade de tantas pessoas, torcendo, orando, rezando e mandando boas energias, não poderia ser simplesmente ignorada no Cosmos. Nessas horas, percebo que nossa grande força está no conjunto e na fé que cada um de nós tem em dias melhores. Essa é a força que nos faz sair do inferno e voltar ao céu. E isso vai ficar marcado em mim!

Muito obrigado pela força! E seguimos na luta...

Um abraço,
Gustavo

domingo, 21 de março de 2010

Você é agnóstico?

Uma aluna perguntou essa semana se sou agnóstico. Respondi que sim. Uma outra, que estava ao lado ouvindo a conversa, disse que não sabia o que era isso. Então respondi: é uma posição mais filosófica do que religiosa, comum entre aqueles que acreditam não haver provas suficientes para crer num ser superior, mas que não descartam a possibilidade de um deus ou deuses existirem. Ela continuou sem entender, mas dava para sentir o descontentamento em suas palavras: "você é ateu?".

"Não, não sou ateu!", assegurei. Pois o ateu "sabe" algo mais que o agnóstico. Ele está certo de que deus não existe, enquanto que os agnósticos (eu, por exemplo) não excluem a possibilidade, apesar de - às vezes - acharem a ideia remota.

Então uma aluna cristã entrou na conversa: "e se a ciência provasse que deus existe?". Retruquei: "seria ótimo, mas os problemas só estariam começando". Por uma razão simples: provar que deus existe não significa provar que o deus cristão existe. Pode ser realmente que deus exista, mas talvez ele (ou ela, quem sabe) seja totalmente diferente do que sempre imaginamos, totalmente indiferentes aos seres humanos, por exemplo. Por que não? Portanto, para o bem das religiões, seria também ótimo que deus nunca fosse descoberto.

A essa altura, uma aluna perguntou: "então você não acredita em nada?". Argumentei: "acredito em muitas coisas e considero-me tão espiritual quanto qualquer religioso dentro de uma igreja". Só não estou certo de que deus funcione da maneira como pensamos, apesar de essa ser uma possibilidade. "Deus, se existir, deve ser algo mais", destaquei.

E terminei: "aquele que diz estar totalmente certo de que encontrou deus – encontrou outra coisa, não deus". No fundo, todos os sistemas de conhecimento humanos (incluindo as religiões) são tentativas (meras tentativas) de dar respostas a essas antigas questões. Mas, por enquanto, tenho bons motivos para continuar sendo agnóstico. Um agnóstico totalmente pronto para ser surpreendido. Ou não.

Um abraço,
Gustavo

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Sob a neblina...

Nada mais importa. E o que outrora alegrava já não cativa mais, não desperta paixão e nem sentimento. Torna-se enfado, sugere cansaço mental e jamais passa impune aos olhos de observadores mais cuidadosos. Infelizmente, depois que a neblina se instala, não existe mais luz capaz de esclarecer os pensamentos. Em troca de uma fagulha de ânimo, vira-se refém. Refém de si mesmo, o pior dos castigos, preso no próprio corpo, sem poder apelar a ninguém, conectado para sempre a essa rede de sofrimento.

O tormento chega a tal ponto que morrer vira um troféu (um almejado troféu). Tudo fica amargo como fel. E a remota ilusão de alcançar o céu não traz nenhuma alegria comparada ao inferno que é viver diariamente como réu de um crime que jamais se cometeu.

Pouco se sabe... e poucos encaram com seriedade esse problema que assola grande parte da população mundial. Depressão. Esse é o mal do século XXI. Será que a salvação está nos tranquilizantes?

Um abraço,
Gustavo

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Quando as luzes se apagam

Rostos bonitos, vestindo roupas de marca, sapatos combinando e com cabelos cuidadosamente tratados e alisados passavam por mim. Eu estava num shopping-center. A feira das vaidades.

Um evento tornou essa experiência (já conhecida de todos nós) diferente dessa vez. Repentinamente, acabou a energia. Uma luz fraca de segurança se acendeu. E, em meio a suspiros de decepção, as pessoas (que não tinham nada melhor para fazer em suas casas) continuaram andando nos corredores mal-iluminados. Algumas lojas decidiram fechar. Outras tantas continuaram a atender e a vender, aproveitando os pequenos raios de luz, que - na verdade - tornavam o ambiente ainda mais curioso: uma ligeira penumbra capitalista, o verdadeiro exemplo de comprar no escuro.

Durante os 15 ou 20 minutos de sombras, porém, uma coisa chamou a atenção. A feira das vaidades não funciona no escuro. Os rostos bonitos, vestindo roupas de marca, sapatos combinando e com cabelos tratados já não eram notados. Entendi, imediatamente, o porquê dos suspiros de decepção. O templo capitalista exige luz, mas uma luz diferente da que esclarece os pensamentos. A luz que ofusca a verdade.

E a verdade é que, nesse mundo de glamour, de etiquetas cada vez mais caras e reservadas a poucos, as pessoas perdem totalmente a identidade quando as luzes se apagam. Talvez essa seja a pergunta a ser respondida: o que esse mundo tem a oferecer quando as luzes simplesmente falham?

Não posso negar que essa pequena experiência me forneceu uma resposta. Mais que isso: a falta de energia no shopping foi um experimento filosófico. A alegoria da caverna de Platão nunca foi tão bem representada.

Um abraço,
Gustavo