As separações são difíceis e dolorosas porque o outro, que se vai, nunca vai embora de mãos abanando. Ele leva consigo parte do que fomos um dia. Arranca de nós uma fração do que pensamos, do que sonhamos, do que planejamos. Mexe mais com nosso passado, embora também afete nosso presente e futuro. Altera nossa essência, deixa marcas, ainda que a intenção não seja machucar, apenas despedir-se.terça-feira, 14 de junho de 2011
O sol que aparece depois da chuva
As separações são difíceis e dolorosas porque o outro, que se vai, nunca vai embora de mãos abanando. Ele leva consigo parte do que fomos um dia. Arranca de nós uma fração do que pensamos, do que sonhamos, do que planejamos. Mexe mais com nosso passado, embora também afete nosso presente e futuro. Altera nossa essência, deixa marcas, ainda que a intenção não seja machucar, apenas despedir-se.quarta-feira, 8 de junho de 2011
Vai ficar para depois
Então, subitamente, decidi que era hora de descansar. O quarto sem energia, luzes apagadas, silêncio cristalino, me trouxe uma vez mais o sentimento de harmonia e quietude de alma que somente os corajosos conseguem experimentar. Do lado de fora do quarto, querendo rasgar o tecido desse sossego fortuito, preocupações variadas com a vida e com pessoas que não valem uma gota de suor (pelo menos não em certos instantes). Vai ficar para depois, pensei. Bem depois! Naquele momento, a única coisa que importava era a profunda sensação de encontro com a paz e com o nada, sentimento tranquilizador e, ao mesmo tempo, anestésico. E que se dane a seriedade da vida! Há momentos em que o melhor a fazer é desligar-se da vida e de todos. Temporariamente. Temporariamente.
Gustavo Miranda
sexta-feira, 27 de maio de 2011
A solidão das redes sociais
Mesmo sendo eu um amante da "solidão", verdade seja dita. A maioria dos seres humanos (eu inclusive) só consegue mesmo suportar um tipo de solidão. A solidão com "s" minúsculo. Essa solidão é aquela solidão acompanhada, em que não se está totalmente sozinho, embora fisicamente não se esteja na presença de ninguém. É um tipo de retiro físico, ainda que sempre na companhia mental de outras pessoas, por meio de livros, músicas, lembranças, pensamentos, etc. Sou amante dessa solidão (nem sempre, claro) e acredito que toda pessoa precisa de um tempo assim. A questão é que existe um outro tipo. Solidão com "S" maiúsculo. E essa, meus caros, bem, essa é para poucos. Só consigo me lembrar de alguns monges que conseguem isso. Afirmam ser capazes de silenciar completamente o corpo, os sentimentos e a mente. Chamam isso de "meditação". E se dizem revigorados após esses momentos. Digo Solidão com "S" maiúsculo, porque - essencialmente - esse processo leva ao esvaziamento total do ser. Ou seja, trata-se de uma solidão completa, em que até mesmo o "eu" está ausente.Gustavo Miranda
domingo, 22 de maio de 2011
Auto-Engano
Incluo-me na lista, aliás.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Saudades de mim!
A vida passa tão depressa que, em certo sentido, chego a sentir saudade da pessoa que fui um dia. Também sinto falta de outras pessoas, embora não seja saudade física, dessas que a gente mata no encontro. Saudade do que elas foram no passado. Do que representaram para mim, do que pensaram, do que fizeram. Enfim. Saudade que não dá para matar no presente, a não ser mentalmente, de modo saudosista e parcial. Deve ser por isso que alguns filósofos separam o mundo em duas partes: o mundo que temos em nossas mentes, idealmente; e o mundo real que experimentamos diariamente. Não tenho dúvidas de que o primeiro é sempre mais interessante e confortável, embora o segundo seja como um despertador a lembrar que nossas melhores lembranças viraram fantasias e que, portanto, não correspondem mais à realidade (o que, às vezes, é bom também). O caso é que não dá para viver só no primeiro ou só no segundo desses mundos. Na transição de um para o outro, aliás, constata-se o óbvio: as coisas já não são mais como antigamente. Daí a saudade! Saudade do que fomos um dia!
Saudades de mim!
Gustavo Miranda
domingo, 8 de maio de 2011
Pequena homenagem
Feliz Dia das Mães!!
Gustavo Miranda
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Mundo assombrado pelos demônios
A vida em sociedade é tão difícil que, às vezes, chego a pensar que algo deu errado no projeto inicial. Sim, porque todos nós sabemos que, apesar do caráter mítico e fantasioso de algumas narrativas, todas as histórias que nos chegaram por meio das religiões, das clássicas epopéias e, também, das ciências antigas dão conta de que o homem é um ser social por excelência, no sentido de depender dos demais seres humanos e, naturalmente, do meio em que vive. O que ocorre é que, embora essa dependência seja óbvia e, em certa medida, louvável, não se pode negar que a independência também sempre figurou como ideal a ser alcançado entre os seres humanos. Com isso, muitas vontades. Muitos desejos. E, modernamente, muitas individualidades ferveram ao longo dos milênios. No limite, gerou-se o paradoxo de que falei no início deste parágrafo: somos seres sociais, sim! Dependentes, sim! Mas também carentes. Carentes de independência, de satisfações pessoais, de sucessos particulares, de massagens no ego.
Aos teóricos do homem, tudo isso sempre soou muito natural e parte integrante de um processo abrangente. A questão, no entanto, é que nunca foi simples ser a única espécie a carregar tantas energias opostas internamente. Esses são, aliás, os únicos e verdadeiros demônios do mundo. Demônios que carregamos dentro de nós, no coração. E que tentamos ocultar a qualquer custo, embora eles sejam fortes o suficiente para continuar a tornar nossa vida em sociedade difícil e, às vezes, impraticável.
Gustavo Miranda