terça-feira, 22 de outubro de 2013

O lado B

Foi então que, um dia, participando do velório de um amigo de infância, me vi cara a cara com este devaneio: "o lado B da vida". Olhando seu corpo inerte e ainda jovem no caixão, vítima de um acidente, perguntei-me mentalmente o que estaríamos fazendo naquele exato momento, caso ele não tivesse escolhido entrar naquele maldito carro dias antes. Estaríamos todos jogando bola? Estaríamos preparando um churrasco para o fim de semana? Estaríamos disputando as garotas da escola? O que estaríamos fazendo? Não me lembro, sinceramente, de ter chegado a qualquer resposta. Mas, a partir daquele momento, comecei a refletir sobre a possibilidade de a vida ter um lado B. De ser diferente. Alternativa. E sobretudo: comecei a refletir um pouco mais sobre as pequenas escolhas que fazemos diariamente e que, às vezes, podem conduzir a consequências inesperadas (e indesejadas).

Gustavo Miranda

domingo, 13 de outubro de 2013

Dia das Crianças

Parabéns para você, que, apesar do terno e da gravata, continua sorrindo levemente, como um menino a brincar de carrinho; parabéns para você também, que, apesar das responsabilidades que a vida impôs, ainda consegue soltar uma gargalhada de fazer doer a barriga; enfim, parabéns para nós todos, que, apesar dos anos, não deixamos nunca de ver a vida e o mundo com os olhos encantadores da criança interior. Feliz dia das crianças!

Gustavo Miranda

sábado, 5 de outubro de 2013

Algo mágico

Há algo mágico nesta trama que é a vida. Acho bonito mesmo. E me sinto honrado. Não apenas pelo privilégio de dar um pouco de mim e de colher um pouco de todos, nas relações intermináveis e espontâneas que ocorrem diariamente. Mas, sobretudo, por carregar nos ombros o peso da responsabilidade de ser livre e de poder mudar tudo a qualquer instante, a partir de um sorriso, de uma ideia, de um gesto, de um sonho.

Gustavo Miranda

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Aprendi

Aprendi, depois de muito tempo e de tantos desencontros, que o importante na vida não é ter ou não ter afinidade de ideias. Além disso, aprendi que é um equívoco estabelecer relações apenas porque o outro pensa, age e fala como a gente. Aprendi, nessa caminhada, que o diferente pode unir mais e melhor, se o foco estiver nas pessoas, não nas diferenças. E aprendi que, por mais que estejam em desuso atualmente, continuam a ser amor e paixão os sentimentos que fazem a vida valer a pena.

Gustavo Miranda    

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Uma concepção equivocada da escola

Infelizmente, há muitos por aí que ainda acreditam que a escola é uma espécie de "fada-madrinha"; ou seja, que ela tem o poder de, por si só, transformar as pessoas a partir de mágicas, do dia para a noite, instantaneamente, só porque as mensalidades são pagas. Esse pensamento, além de xucro, é equivocado, porque, na verdade, à escola cabe o papel de viabilizar a construção do conhecimento, mas num ambiente de cooperação entre o sujeito que aprende e o sujeito que ensina, numa dialética interminável. Sem isso, de nada adiantam os diplomas outorgados. A verdadeira educação não é resultado de mágicas imediatistas nem de diplomas de grife, mas de um genuíno compromisso com o cultivo permanente das sementes que são lançadas pela vida.

Gustavo Miranda

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Fome

Há infinitas "fomes" a serem saciadas durante a vida. Uma delas, a mais básica, é a física, aquela que pão e vinho resolvem. Mas há outras também essenciais: fome de apego, fome de carinho, fome de cumplicidade, fome de amor. Essas, na verdade, são mais refinadas e só podem ser saciadas na relação com o outro. Por isso, dizem - em com razão - que o maior patrimônio de um ser humano são as relações que ele estabelece com as pessoas à sua volta. De fato, ninguém consegue ser feliz sozinho!

Gustavo Miranda

sexta-feira, 28 de junho de 2013

A mobília da mente

Mexer na mobília de casa é algo desafiador, e não é todo mundo que gosta. Pior ainda é mexer na "mobília" da mente, trocando as coisas de lugar, mudando opiniões, realocando ideias, reinterpretando sentimentos, quebrando preconceitos, enfim, substituindo o velho pelo novo. Aí, de vez em quando, bate a mesma sensação que temos com as coisas físicas: o abajur antigo já não ilumina tanto, mas dá dó desfazer-se dele; o pequeno armário embutido já não é prático o bastante, porém, dá trabalho trocá-lo por outro. E é assim que vamos entulhando nossa mente com coisas que serviram um dia, mas já não servem mais. É que, embora fundamental, não é fácil trocar o certo pelo desconhecido.

Gustavo Miranda