quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Certeza de ter razão...

Palavras do prêmio Nobel em Biologia Molecular:

Não é somente o interesse que leva os seres humanos a se matar. Também é o dogmatismo. Nada é tão perigoso quanto a certeza de ter razão. Nada causa tanta destruição quanto a obsessão de uma verdade considerada absoluta. Todos os crimes da História foram consequência de algum fanatismo. Todos os massacres foram realizados por virtude: em nome da Religião verdadeira, do racionalismo legítimo, da política idônea, da ideologia justa; em suma, em nome do combate contra a verdade do outro, do combate contra Satã. [FRANÇOIS JACOB, grifo meu].

Sábias. Precisas e, sobretudo, inspiradoras.

Um abração,
Gustavo

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Julio Verne e Fitzgerald

Pequenas dicas de leitura:

1- Acabei de reler o livro "Viagem ao centro da Terra". Julio Verne é, sem dúvida, um dos melhores escritores de ficção científica que já li. Consegue unir uma série de informações científicas com enredos que prendem a atenção. Tive a mesma sensação quando li "Volta ao mundo em 80 dias". São clássicos. E os clássicos dizem muito, sempre.

2- Estou lendo um romance de F. Scott Fitzgerald chamado "This side of Paradise" (Este lado do paraíso), de 1920. É o livro de estréia do autor. Vale lembrar que Fitzgerald foi parte da "lost generation" (a geração perdida) nos Estados Unidos, termo dado ao grupo de artistas e escritores que acabou abandonando o país entre o período do pós-primeira-guerra e início da Grande Depressão (em 1929). Excêntrico ele. Acho que escreveu e bebeu durante a vida toda. Mas que sensibilidade ele tinha. Aliás, foi muito amigo de Ernest Hemingway, outra grande figura. Neste livro, ele narra com detalhes o que era ser jovem numa América também jovem. Muito interessante e cheio de reflexões, sobretudo o percurso de "pré-universitário" que ele descreve tão bem. Vale a pena ver!

Um abraço,
Gustavo

quarta-feira, 10 de junho de 2009

O nascimento da borboleta

Desencanto
By José Saramago

Todos os dias desaparecem espécies animais e vegetais, idiomas, ofícios. Os ricos são cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Cada dia há uma minoria que sabe mais e uma maioria que sabe menos. A ignorância expande-se de forma aterradora. Temos um gravíssimo problema na redistribuição da riqueza. A exploração chegou a requintes diabólicos. As multinacionais dominam o mundo. Não sei se são as sombras ou as imagens que nos ocultam a realidade. Podemos discutir sobre o tema infinitamente, o certo é que perdemos capacidade crítica para analisar o que se passa no mundo. Daí que pareça que estamos encerrados na caverna de Platão. Abandonamos a nossa responsabilidade de pensar, de actuar. Convertemo-nos em seres inertes sem a capacidade de indignação, de inconformismo e de protesto que nos caracterizou durante muitos anos. Estamos a chegar ao fim de uma civilização e não gosto da que se anuncia. O neo-liberalismo, em minha opinião, é um novo totalitarismo disfarçado de democracia, da qual não mantém mais que as aparências. O centro comercial é o símbolo desse novo mundo. Mas há outro pequeno mundo que desaparece, o das pequenas indústrias e do artesanato. Está claro que tudo tem de morrer, mas há gente que, enquanto vive, tem a construir a sua própria felicidade, e esses são eliminados. Perdem a batalha pela sobrevivência, não suportaram viver segundo as regras do sistema. Vão-se como vencidos, mas com a dignidade intacta, simplesmente dizendo que se retiram porque não querem este mundo.

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E aí me vem a pergunta: estamos assistindo à morte da lagarta ou ao nascimento da borboleta? Para ser sincero, tenho dúvidas.

Um abraço,
Gustavo

domingo, 15 de março de 2009

Frutos de todos e Terra de ninguém


O verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que, tendo cercado um terreno, lembrou-se de dizer 'isto é meu' e encontrou pessoas suficientemente simples para acreditá-lo. Quantos crimes, guerras, assassínios, misérias e horrores não pouparia ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas ou enchendo o fosso, tivesse gritado a seus semelhantes: 'Defendei-vos de ouvir esse impostor; estareis perdidos se esquecerdes que os frutos são de todos e que a terra não pertence a ninguém'.

A citação é de Jean-Jacques Rousseau(1712 - 1778), uma das figuras mais marcantes do iluminismos francês.

Um abraço,
Gustavo

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Adicionando um fermento...

Percebi que poderia ter mencionado uma coisa em meu texto anterior, que agora faz todo sentido. Ser honesto nas escolhas e no modo como construímos nosso pensamento é assumir as preferências. É dizer "penso e ajo assim, porque prefiro assim, simpatizo mais com esse modo de ver as coisas, gosto assim".

A falta de honestidade das autoridades (professores, padres, políticos, chefes de empresa, etc.) que mencionei se deve a isso. Elas não dizem que pensam daquele jeito porque preferem daquele jeito. Dizem, ao contrário, que pensam de um determinado modo porque aquele é o mais correto, aquele é o verdadeiro, aquele é o normal, etc. Isso é uma farsa. Conduz aos fundamentalismos que temos visto. E deve ser evitado.

Mas é simples resolver o problema. Só precisamos ser honestos. Nada de explicações supostamente objetivas. Um simples "eu gosto assim, o outro assado" já encerra o assunto.

Um abraço,
Gustavo

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Provérbio

Achei bastante interessante este provérbio e espero que vocês reflitam:

"A verdade é um espelho que caiu das mãos dos deuses e se quebrou. Desde então, cada um recolhe um pedaço e afirma que toda a verdade está naquele caco".
Provérbio Iraniano.

Um abraço,
Gustavo

domingo, 8 de fevereiro de 2009

The Curious Case of Benjamin Button

The Curious Case of Benjamin Button. Vejam! Vale a pena.
O filme é baseado no conto de Francis Scott Fitzgerald, um grande escritor americano que fez parte da Lost Generation, a geração perdida, termo dado ao grupo de celebridades literárias que foi obrigado a viver na Europa e em outras partes do mundo entre a Primeira Guerra Mundial e o início da Grande Depressão, em 1929.

O filme conta a história de um homem que nasce velho e, com o passar dos anos, rejuvenesce. É bastante realista e expõe as vantagens e as desvantagens de ter o relógio biológico invertido. Lembrei-me daquela curiosa anedota atribuída supostamente a Charles Chaplin a respeito do ciclo da vida.

Enfim, acho que o filme vale as indicações que recebeu ao Oscar.
Mas isso é opinião.

Um abraço,
Gustavo